Atuando com Johnny – Judi Dench

São muitas as atrizes que atuaram com Johnny ao longo de sua bela carreira. Entre tantas atrizes lindas e talentosas, há um lugar de destaque para a veterana atriz inglesa Judi Dench. A atriz vencedora do Oscar, premiadíssima e admirada em todo o mundo, contracenou com Johnny em três filmes: Chocolate, Piratas do Caribe:Navegando em Águas Misteriosas e Assassinato no Expresso do Oriente, que estreia em 10 de Novembro próximo.

Johnny, Judi e Juliette Binoche em cena de Chocolate – 2.000

A cena em que ela contracena com o Capitão Jack Sparrow é icônica, e foi imortalizada em vídeo:

Em várias ocasiões, Judi manifestou sua admiração por Johnny, como recentemente no programa da Ellen DeGeneres, quando declarou que Johnny foi a co-estrela mais sexy com que já atuou. Agora, aos 83 anos, com dois novos filmes prestes a estrear, “Victoria e Abdul” e “Assassinato no Expresso do Oriente”, Judi concedeu uma bela entrevista onde fala sobre sua vida, sua carreira, projetos, e novamente sobre Johnny. A entrevista foi publicada pelo O Globo, em 29 de Outubro de 2017.

Aos 83 anos, Judi Dench fala sobre novos filmes e ‘queda’ por Johnny Depp: ‘meu coração ainda dispara’

No final dos anos 1950, uma epidemia de gripe asiática se abateu sobre Londres, derrubando vários integrantes de uma montagem de “Hamlet”, em cartaz no Old Vic. Entre as vítimas estava a então jovem atriz Judi Dench, que, mesmo com o corpo debilitado por dores e febre intensa, subia todas as noites ao palco do tradicional teatro para encarnar os dilemas de Ofélia, a nobre suicida da tragédia escrita por Shakespeare no século XVI

— Certa noite, me senti tão mal, que chorei em cena. Ao sair do palco, o (ator) John Neville, que fazia o Hamlet, me puxou e disse: “Se não consegue fazer seu trabalho, não o faça. Eles não vieram aqui para te ver chorando num momento em que isso não é requisitado.” John falava de energia mal canalizada. Nunca esqueci aquelas palavras — recorda a atriz, de 82 anos, durante o Festival de Veneza, onde promoveu “Victoria e Abdul — O confidente da rainha”, que estreia no Brasil no próximo dia 9.

Judi voltaria a tirar proveito da lição em 2000, quando o ator e escritor Michael Williams, seu companheiro por mais de 30 anos, faleceu por causa de um câncer. Já dona do título de dama da Ordem do Império Britânico e do Oscar de coadjuvante por “Shakespeare apaixonado” (1998) e conhecida internacionalmente como M, a chefe de James Bond, a atriz evitou entregar-se ao luto e refugiou-se no trabalho.

— Naquele ano, fiz três filmes, com dois ou três dias de intervalo entre um e outro: comecei a filmar “Chegadas e partidas” (2001), depois voei para a Irlanda para rodar “Iris” (2001), retornei para finalizar “Chegadas e partidas” e, na sequência, fui para Praga fazer “Armadilhas do coração” (2002). Manter-me ocupada foi bom, porque o luto suga muita energia não requisitada — lembra Judi. — Não sublimei a dor, mas dei outro uso para aquela energia.

“Victoria e Abdul” a fez pensar novamente em perdas e renovações. O longa descreve a surpreendente amizade entre a rainha Victoria (Judi), no poder entre 1837 e 1901, e Abdul Karim, indiano de origem muçulmana que foi seu servo e professor particular. Viúva, com a saúde debilitada e presa a uma rotina enfadonha, Victoria ganha novo entusiamo com o forasteiro.

— Entendo o estado emocional dela. Este ano, perdi meu último irmão e alguns amigos. Pensei: “É o fim da minha família, estou isolada.” Mas não podemos nos entregar. Precisamos buscar algo que renove nossas energias. Victoria encontrou tudo isso em Abdul — entende a atriz.

Judi começou a carreira no teatro e fez dezenas de papéis na TV britânica antes de se destacar no cinema. “Diziam que eu não tinha um rosto para filmes”, recorda a atriz vencedora de diversos prêmios de teatro, inclusive o Lawrence Olivier. Então, veio “Sua majestade, Mrs. Brown” (1997), de John Madden, em que ela interpretou, pela primeira vez, a rainha Victoria. O papel lhe valeu a primeira das seis indicações ao Oscar. Rapidamente, Judi deixou de ser um patrimônio britânico para se tornar um rosto internacional.

— Ela representa a realeza entre nós, atores — elogia o jovem ator Ali Fazal, que interpreta Abdul no filme de Frears.

— Judi é uma unanimidade entre profissionais do teatro, da televisão e do cinema — afirma Frears, que já trabalhou com ela em diversas outras ocasiões.

Mas a popularidade veio mesmo com M, da franquia “007”, uma mulher de liderança dentro de um gênero dominado por homens — são seis filmes desde “007 contra GoldenEye” (1995), período durante o qual testemunhou a passagem de bastão entre Pierce Brosnan e Daniel Craig no papel protagonista. Mas, pelo menos dentro de casa, as aventuras com James Bond não eram exatamente uma unanimidade:

— Meu marido ficou doido quando aceitei fazer a M. Dizia que agora ele estava casado com uma Bond woman. (Risos.) Mas achei uma oferta irresistível, o texto era muito inteligente e divertido. E fiquei com uma reputação muito boa entre os amigos dos meus netos. (Risos.) Eles gostam muito. Têm orgulho do que faço nos filmes de James Bond. Minha filha é um caso perdido. Acho que ela me usou para se aproximar de Pierce Brosnan. Nunca vi uma reação tão escandalosa quanto a dela ao ser apresentada a ele. Nunca! Ela ficou boquiaberta, literalmente.

Entre teatro, TV e cinema, são mais de 60 anos dedicados à interpretação. Os filmes só ganharam peso significativo dentro dessa trajetória nas últimas duas décadas. Judi diz que fazer cinema ainda a deixa “apavorada”, porque, diferentemente das peças, filmes não permitem correções:

— Quando fica pronto, não há como refazer algo que me deixou insatisfeita. É por isso que não assisti à maioria dos que já fiz.

Para minimizar a ansiedade nos sets, Judi costuma ser mais criteriosa na escolha dos projetos.

— Levo em consideração as pessoas com quem vou trabalhar, e o quão o filme é diferente do que fiz antes — enumera a atriz. — Fiz o novo “Assassinato no Expresso do Oriente”, por exemplo, porque tinha pouca coisa para fazer em cena. Ia usar roupas bonitas e muitas joias, além de contracenar com Olivia Colman. Ah, e tem também Johnny Depp, porque meu coração ainda dispara (revira os olhos). Você entende, né? É o rapaz mais bonito que conheço. Muito inteligente e gentil. Tem um grande senso de humor. Demos gargalhadas maravilhosas juntos. Ah, e alto também. (Risos.)

Refilmagem do sucesso de 1974 dirigido por Sidney Lumet, a partir do romance homônimo da escritora Agatha Christie, “Assassinato no Expresso do Oriente” é dirigido por Kenneth Branagh, um velho conhecido da atriz. No thriller de mistério, que estreia no Brasil no dia 30 de novembro, Judi interpreta a princesa Dragomiroff, aristocrata russa de poucos amigos, papel que no filme original coube à sueca Ingrid Bergman.

— Acho que esta é a décima vez que trabalho com o Kenneth. Cheguei a dirigi-lo numa montagem de “Muito barulho por nada”. Era um rapaz que se comportava muito mal, genioso e debochado, mas que me fazia rir muito — lembra a veterana atriz.

O longa “Assassinato no Expresso Oriente” é ambientado no famoso trem transcontinental, que fazia o trajeto Paris-Istambul. Penélope Cruz, Willem Dafoe e Derek Jacobi, além do próprio Branagh, que interpreta o lendário detetive Hercule Poirot, encarregado de desvendar um crime a bordo, engrossam o elenco estelar da produção.

— Às vezes, eles se comportavam como garotos levados, muito brincalhões e exuberantes. E grande parte desse clima é culpa da Judi, que consegue sair do modo descontração para o de concentração com uma facilidade enorme — declarou um sorridente Branagh à imprensa britânica.

Judi não contesta o velho amigo:

— Passei momentos gloriosos no “Expresso Oriente” do Kenneth. Depois de fazer Victoria, foi interessante experimentar a disciplina de ser uma princesa russa, brincar com cachorros lindos… Ah, claro, e tinha Johnny Depp.

Matéria original – O Globo

2 thoughts on “Atuando com Johnny – Judi Dench

  1. Salete disse:

    É uma rainha. E Já fez tantas. Não vejo a hora de ver o proximo filme dela como Victoria e claro “Expresso do Oriente”

  2. Sara Raquel Pinheiro disse:

    Estou mesmo ansiosa… tenho cá um precentimento de que a personagem do Johnny venha a ter um certo tipo de relacionamento com a personagem da Judy Dench, visto que ele é gansgter e ela princesa. Não sei… vamos ter de esperar. 😁

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

«
»