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Realizando um sonho: Conhecer Tim Burton

Histórias de fãs sempre emocionam e gostamos de postar aqui. E esta é mais uma que vai ficar na nossa história. Assim como a Rosa Maria esteve lá na exposição do Tim, e teve a oportunidade de vê-lo de perto, mas não conseguiu contato, a Cynthia Lembke teve mais oportunidades e nos enviou este relato contando a saga e como foi que realizou seu sonho de conhecer pessoalmente o cineasta Tim Burton, que esteve no Brasil recentemente promovendo sua exposição no MIS- Museu de Imagem e Som em SP “O Mundo de Tim Burton”

“11 DE FEVEREIRO DE 2016.

Gravem bem esse dia, pois foi o dia em que conheci pessoalmente o gênio Tim Burton e assisti um de seus clássicos em uma sala privada e disputada por fãs de várias regiões do Brasil. Uma honra estar perto do meu amor platônico de infância.

Que dia memorável, e com toda a certeza inesquecível, mas pra falar desse dia eu devo voltar ao passado e explicar porque ele é tão especial pra mim e porque me identifico tanto com suas obras.

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Tudo começou quando eu tinha 11 anos, era Natal e estava passando um filme que me chamou a atenção, tocava uma música sinistra mas muito linda, meio natalina, e tinha um esqueleto que no começo não entendi nada do que estava acontecendo, lembro que a minha mãe brigava pra eu não ficar sentada em frente a televisão porque fazia mal pra visão, mas neste dia eu fiz a mesma coisa, sentei em frente da TV e só sai quando acabou o filme.

Bom eu tinha 11 anos ainda brincava de Barbie mas já tinha um gosto meio estranho para bonecas, uma vez eu estava na sala com a minha vó e passou um filme legal era de noite e o homem era lindo, tinha uma beleza exótica e o filme falava sobre “Chocolate” mas isso é uma outra história, que também vou ter a chance de contar acontece que eu conheci o Johnny e o Tim praticamente na mesma época mas em filmes diferentes, quando eu assisti “O Estranho Mundo de Jack” eu jamais poderia imaginar que o Johnny e o Tim eram parceiros em filmes.

O tempo passou e com 15 anos ainda não me esquecia do Jack o esqueleto, tinha chaveiros, adesivos que inclusive já devem até ter perdido a cola,bolsas, e tudo que eu achava sobre ele eu fazia a minha mãe comprar, eu adorava o Jack, até que um dia quando eu já estava com meus 15 anos passou “Edward Mãos de Tesoura” na sessão da tarde, cheguei da escola vi o anúncio e me interessei em assistir, fiz a lição de casa e logo sentei no sofá, foi amor a primeira vista, aquele filme era tão inocente, tão diferente, tão completo e depressivo, mas ao mesmo tempo em que era triste, era alegre também, meus 15 anos foi a fase gótica eu ouvia a banda The Cure loucamente, usava maquiagem forte, vestidos longos e adorava o Robert Smith, ao ver o Edward me identifiquei com o cabelo bagunçado e o rosto triste era o mesmo, pronto nasceu toda a admiração e amor por este homem.

Tive a oportunidade de assistir “A Noiva Cadáver” e “A fantástica fabrica de chocolate” no cinema, ambos lançados em 2005 quando eu tinha 15 anos e assim fui crescendo e trazendo o mundo maravilhoso de Tim Burton comigo, quando eu fiz 17 anos já comecei a trabalhar, comprava minhas próprias coisas e a maioria eram filmes e revistas relacionadas sobre ele, uma vez minha mãe ficou louca porque gastei todo o salário com ele, sempre foi muito difícil achar algo sobre ele, tudo que eu via eu comprava na mesma hora, pois não sabia quando iria ter de novo.

Tim se destacava com os adolescentes e eu acho que muito mais do que com as crianças, sempre achei que os filmes dele não eram para crianças e tive a certeza disso quando assisti “Os Fantasmas Se Divertem ou Beetlejuice” mas como já tinha uma certa idade não me incomodou em nada, eu achei muito louco e divertido. E assim fui assistindo todos os filmes do Tim e amando cada vez mais o seu trabalho, principalmente por ele conseguir transformar tudo que é estranho em fofo e lindo, e por fazer a gente se apaixonar por seus personagens de uma forma doida e sem controle a ponto de você querer ter tudo sobre eles.
Estabeleci uma relação com ele, em casa eu já o tratava como se fosse alguém da família, eu escutava alguém criticando ele e logo defendia, é claro que não tem como deixar de mencionar a Helena uma de minhas inspirações, através do Tim a conheci como atriz e como esposa dele, confesso que ainda não superei a separação deles, que é deles mas que é muito dolorosa pra mim.

Bom 2009 eu fiquei sabendo de uma exposição do Tim Burton em Nova York e chorei muito porque eu não tinha dinheiro para viajar até lá pra assistir, consegui esquecer disso com “Alice No País das Maravilhas” que também fui no cinema assistir,e mais uma vez a trilha sonora era perfeita, e claro tinha Johnny Depp e Helena confesso que esta estréia me fez esquecer um pouco da minha decepção por não poder ir na exposição. Em 2012 também fui no cinema e tirei foto sentada em um trono vermelho era a vez de conferir “Sombras da Noite” e se eu já gostava de Alice Cooper eu passei a gostar ainda mais, até em questão de música eu e o senhor Burton combinamos.

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Como não me apaixonar por esse homem? Impossível! O cara é extraordinariamente único.
Até que um dia surgiu rumores que a exposição”The World Of Tim Burton” iria vir ao Brasil, eu gritava de felicidade, não estava acreditando que finalmente eu iria poder ver a exposição que durante alguns anos me fez chorar feito criança que quebrou seu brinquedo.Mas eram só boatos. Esperei 2 anos para isso se concretizar, e como muitos sabem eu sou apaixonada também pelo Johnny Depp aquele rapaz exótico do filme “Chocolate” que eu assisti quando tinha 10 anos, e pra minha surpresa este rapaz venho ao Brasil pela primeira vez ao lado de Alice Cooper acho que não preciso contar o que aconteceu.

Depois das emoções de ver o Johnny de perto e o Alice Cooper também, aguentei mais um pouquinho quando foi anunciado que o MIS iria trazer a exposição do Tim Burton pro Brasil em 2016, as vendas começaram e eu só tenho a agradecer por uma pessoa muito querida ter me dado um ingresso para a première, eu já estava crendo que iria conhecer o Burton também, pelo motivo de todas as outras exposições ele sempre comparecer na abertura, mesmo ainda não tendo nada confirmado sobre isso.

Uma semana antes no dia 29 de janeiro eu acordei chorando e indignada que ele tinha anunciado que não iria vir dia 3 de fevereiro, surtei, fiquei louca da vida e muito irritada com essa situação, mas não tive tempo para me estressar no dia 30 seria aberto vendas de poucos ingressos para o dia 11 com direito a uma sessão de bate papo e assistir um filme que foi escolhido através de votação.

É ai que voltamos para o início, fui para a fila, no dia 29 às 15:00 horas da tarde, dormi lá, passei frio, chuva, cansaço mas no dia seguinte as 11:00 horas da manhã estava inteira e pronta para ter o meu tão sonhado “Golden Ticket” neste dia após finalmente ter meu ingresso em mãos eu reconheci a Jenny He curadora da exposição e assistente do Tim Burton ela estava junto com a Brandt tirei foto e conversamos um pouco, elas estavam felizes por eu ter reconhecido elas a Brandt me deu um abraço e disse que ia tirar foto da minha tatuagem para mostrar pro Tim, cheguei em casa desacreditada de tudo que estava acontecendo, mas me mantive calma, mentira passei dias de nervoso e de muita ansiedade.
Visitei a exposição no dia 8 e sai da última sala emocionada, principalmente por lembrar de tudo que eu tinha enfrentado para estar alí, dos momentos de frustração por achar que nunca iria ver este encantamento e esta magia de perto, voltei para casa completamente nostálgica e maravilhada com tudo que tinha visto, apesar de achar que estava faltando alguns ítens na exposição isso não me importava, eu estava fazendo parte finalmente do mundo do cara que começou a me acompanhar na minha infância e que tenho certeza que vai estar comigo sempre. Na noite do dia 10 eu não conseguia dormir, e quando deu 4:00 da manhã lá estava eu novamente a primeira da fila para a sessão e bate papo com o Tim Burton, as próximas horas era um tormento foi quando venho a Globo pra me distrair pedindo para dar uma entrevista contando do porque eu amava ele e o que eu esperava da exposição e principalmente dele.

Difícil dizer isso pois eu só queria estar perto dele não importava como, eu precisava ter a certeza de que ele existia, na exibição de Edward Mãos de Tesoura eu me segurei para não chorar o filme todo, e assim que acabou ele entrou ficou bem de frente para mim e respondia as perguntas dos outros fãs educadamente, sempre brincalhão,mas também sempre muito ansioso, as perguntas acabaram e ele distribuiu autógrafos e algumas selfies apesar de não gostar, rapidamente eu joguei meu sparky de pelúcia e ele apertou ele, sorriu e assinou.

Foi então que eu sai para fora e o diretor do museu sabia quem eu era justamente por ter dormido na fila junto com 2 meninas, ele disse para esperar, e quando eu olho ele volta com o Tim Burton na minha frente, eu disse o quanto eu amava ele e ele me abraçou, ainda to tentando encontrar palavras para expressar o quanto esse abraço foi importante pra mim. Ele então olhou minha tatuagem e viu a do Alice Cooper foi então que ele soltou algo como “somos amigos” demos risadas e ele entrou para o camarim.

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Algo surreal que somente agora estou conseguindo processar e lembrar de cada detalhe, de cada etapa antes deste sonho se tornar real. E sobre o Tim Burton o que eu pude perceber é que ele carrega uma tristeza no olhar, mas que um ser humano incrível e realizado por conseguir transformar todos os seus sentimentos em arte e principalmente por colocar um sorriso sincero e de muita alegria em cada fã que o admira. Este momento ficou registrado em foto mas muito mais do que uma foto são as memórias que vou levar no decorrer da minha vida. Obrigada por existir e por ser assim do jeitinho que você é, pois foi assim que você conquistou minha eterna admiração por você.”

3 thoughts on “Realizando um sonho: Conhecer Tim Burton

  1. Liu disse:

    São tantas as emoções! Muito emocionante o seu depoimento, Cynthia! Obrigada por compartilhar aqui!

  2. Adriana disse:

    ??????. Esta experiencia é como mais uma tattoo que ficara marcada em sua vida. Parabéns !

  3. Rosa Maria disse:

    Cynthia, mais uma vez parabéns! Poder abraçar o ídolo é daqueles sonhos que parecem impossíveis, mas que volta e meia descobrimos que nem é tanto assim, rsrs… Guarde em suas retinas e no seu coração. Beijo!

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